Quatro das maiores firmas de auditoria do mundo — PwC, KPMG, EY e Crowe — aprovaram balanços contábeis do Banco Master e da Reag Gestora que continham dezenas de bilhões de reais em ativos inexistentes. É o que afirma uma reportagem do site Poder 360 publicada neste domingo (25/1).
26 de janeiro de 2026,
A notícia aponta que as empresas validaram, com pareceres sem ressalvas, créditos consignados fictícios do Master e créditos de carbono da Reag baseados em terras públicas. Ambas as instituições foram liquidadas pelo Banco Central desde o final do ano passado.

Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro passado
Segundo a reportagem do Poder 360, as firmas de auditoria se limitaram a apontar “incertezas” sobre a precificação de ativos que, na verdade, eram fraudulentos, utilizando linguagem técnica que mascarava a ausência real dos bens.
No caso específico do Banco Master, a KPMG e a PwC teriam chancelado demonstrações financeiras que incluíam R$ 19,5 bilhões em cotas de fundos avaliadas apenas por modelos internos, além de R$ 6,7 bilhões em empréstimos consignados fabricados por uma consultoria fantasma.
Segundo aponta a notícia, essas operações fraudulentas que escaparam ao escrutínio das auditorias acabaram descobertas posteriormente com uma medida simples: o Banco Central selecionou 30 CPFs aleatórios e constatou que nenhum deles havia recebido o dinheiro.
As auditorias, no entanto, teriam deixado de fazer essa verificação básica e aceitaram as informações fornecidas pelo próprio cliente sem checagem independente. Aprovados, os balanços acabaram induzindo ao erro investidores e instituições como o banco estatal BRB, que comprou carteiras baseadas nesses dados.
O esquema também se estendia à Reag. De acordo com o Poder 360, fundos da gestora registraram R$ 45,5 bilhões em créditos de carbono lastreados em terras que, na realidade, pertencem à União, configurando apropriação de patrimônio público. As firmas EY, PwC e Crowe validaram esses valores sem realizar consultas elementares ao cadastro fundiário para confirmar a propriedade das terras.
Questionadas pela reportagem sobre essas falhas, as empresas de auditoria invocaram sigilo profissional. A EY chegou a alegar que foi contratada apenas para checar “fórmulas matemáticas”, eximindo-se da responsabilidade de verificar a veracidade dos dados, enquanto o prejuízo final sobra para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e os contribuintes.
Fonte: Agência Brasil
