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Texto criou 200 cargos por concurso e vinculou autarquia ao ministério da Justiça.

 

Proteção de Dados

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Senado aprovou nesta terça-feira, 24, a MP 1.317/25, que transforma a Autoridade Nacional de Proteção de Dados em Agência Nacional de Proteção de Dados, com autonomia funcional, técnica, decisória, administrativa e financeira, além de patrimônio próprio, e cria 200 cargos de especialista em regulação de proteção de dados.

O texto segue para sanção presidencial e perderia a vigência nesta quarta-feira, 25.

A proposta foi aprovada na forma de projeto de lei de conversão, com alterações no mérito apresentadas pelo relator, senador Alessandro Vieira. Segundo ele, a mudança institucional equipara a ANPD às demais agências reguladoras do ponto de vista estrutural e fortalece sua atuação.

A nova agência será vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e contará ainda com a criação de um órgão de auditoria em sua estrutura interna.

 (Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Senado aprova MP que transforma a ANPD em agência e cria 200 cargos.(Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado)

 

 

ECA Digital

De acordo com o governo, uma das principais razões para a reestruturação e o reforço no quadro de pessoal é a atribuição conferida à ANPD de regulamentar o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital. Instituído pela lei 15.211/25, o estatuto estabelece medidas de proteção a crianças e adolescentes no ambiente virtual.

Alessandro Vieira afirmou que a nova legislação dará suporte à implementação da norma.

“Essa legislação vai garantir o aparato necessário para funcionar o ECA Digital, para que ele possa proteger as crianças nesse ambiente digital, que é tão importante. Parabenizo o Congresso pela aprovação rápida daquilo que é tão necessário para todos nós.”

O ECA Digital entrará em vigor seis meses após a publicação da lei, em 17 de março. Para evitar dúvidas quanto ao prazo, o relator incluiu na MP dispositivo que explicita a data de início da vigência.

Novos cargos

O cargo efetivo de especialista em regulação e proteção de dados será preenchido por concurso público e exigirá formação específica. Os 200 postos foram criados a partir da transformação de 797 cargos vagos de agente de outras carreiras.

Com sobras orçamentárias, o texto também instituiu quatro cargos em comissão e 14 funções comissionadas, estas exclusivas para servidores públicos.

Os servidores atualmente em atividade na autoridade nacional poderão permanecer na nova agência sem necessidade de nova autorização do órgão de origem. A medida provisória ainda prorrogou de 31 de dezembro de 2026 para 31 de dezembro de 2028 o prazo até o qual a requisição de servidores para a ANPD será considerada irrecusável.

Direitos difusos

A proposta aprovada também atualiza a lei que criou o Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos, responsável pela gestão dos recursos do fundo. O colegiado integra o Ministério da Justiça e da Segurança Pública e atualmente é composto por dez representantes de diferentes órgãos governamentais.

O fundo tem como finalidade reparar danos coletivos e difusos, que atingem grupo indeterminado de pessoas, como prejuízos ao meio ambiente, ao consumidor e a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.

Com informações da Agência Senado.

Fonte: https://www.migalhas.com.br/quentes/450569/senado-aprova-mp-que-transforma-anpd-em-agencia-reguladora

Empresa oferece criptomoeda a titulares de dados no Brasil

24/01/2025

A empresa multinacional Tools for Humanity – TFH deverá interromper “a oferta de criptomoeda ou de qualquer outra compensação financeira pela coleta de íris de titulares de dados no Brasil”, segundo a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

A ordem, de caráter administrativo, ocorre dois meses e meio depois da ANDP ter iniciado fiscalização sobre o tratamento de dados biométricos pela companhia fundada em 2019 e sediada em São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos, e Munique, na Alemanha.

A TFH se apresenta como uma “empresa de tecnologia que desenvolve projetos para humanos na era da inteligência artificial”. 

Segundo a ANDP, o propósito da coleta de íris humanas alimentaria a plataforma World ID útil para “a comprovação de que o titular é um ser humano único vivo” e assim “promoveria maior segurança digital em contexto de ampliação das ferramentas de inteligência artificial.”

Na avaliação da ANDP, a oferta de criptomoedas contraria a Lei Geral de Proteção de Dados, que estabelece que o “o consentimento para o tratamento de dados pessoais sensíveis, como é o caso de dados biométricos, precisa ser livre, informado, inequívoco e fornecido de maneira específica e destacada, para finalidades específicas”.

Reportagem publicada pela Agência Brasil na semana passada registra alerta de especialistas de que “as pessoas desconhecem riscos ao escanear a íris.” Karen Borges, gerente Adjunta da Assessoria Jurídica do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) alerta que “não sabemos ainda como essas informações serão utilizadas quando associadas em conjunto com algoritmos avançados, além da inteligência artificial (IA), podendo ser aberta uma porta para abusos, crimes e irregularidades”.

Conforme a matéria, mais de um milhão de pessoas já baixou o aplicativo no Brasil e mais de 400 mil permitiram o escaneamento da íris.

Fonte: Agência Brasil