A legislação que ampliou os direitos dos trabalhadores domésticos ainda não foi totalmente regulamentada, mas a procura por serviços on-line de contabilidade para empregadores mais que triplicou em algumas empresas.

Os sites que foram lançados perto da entrada em vigor das novas regras, em 3 de abril, ultrapassaram em poucas semanas suas metas.

Os sistemas costumam oferecer um passo a passo simples e fácil de seguir, com modelos de documentos, na admissão e rescisão.

Além disso, calculam salário e benefícios, incluindo eventuais horas extras e descontos. Permitem a impressão de guias para o recolhimento de INSS (Previdência Social), Imposto de Renda retido na fonte (depende do valor do salário do empregado) e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – ainda opcional porque depende de regulamentação da lei).

DOCUMENTOS

Os sites também geram folhas de ponto, recibos para décimo terceiro, férias, salário, vale-transporte, que ficam gravados no histórico do programa –os comprovantes assinados precisam ser impressos e guardados pelo empregador.

Os serviços variam de preço, mas muitos incluem um cadastro gratuito para teste.

Para a empresária Patrícia Silveira, 43, cliente da Pagga Domésticos, o sistema é caro, mas compensa, porque economiza tempo. A empresa cobra 6% do salário dos empregados –R$ 120 por mês no caso da empresária.

DEMISSÕES

Quando a nova lei foi aprovada, Silveira estava em processo para demitir duas domésticas. “Fiquei desesperada. Até o departamento de recursos humanos da minha empresa estava me ajudando, mas era muito trabalhoso. Ia contratar um contador, que me custaria bem mais que o sistema on-line”, diz.

A empresária fez a rescisão dos contratos utilizando a ferramenta e já contratou duas novas empregadas.

A Pagga Domésticos, lançada em meados de abril, tem 1.636 clientes cadastrados e afirma que a média diária de usuários triplicou nas últimas semanas.

“Quando começamos eram cerca de 50 por dia, agora já são 150. Ultrapassou em muito a nossa expectativa” diz Armando Ribeiro, CEO da companhia.

A Web home, outra iniciativa recente, acredita que irá bater sua meta de mil clientes em um ano já no primeiro semestre.

“Em pouco mais de um mês em funcionamento conseguimos 700 usuários, 300 pagantes”, afirma João Tonini, sócio da companhia, que planeja, agora, desenvolver versões para smartphones.

A Doméstica Legal, há quase nove anos no mercado, também registrou o aumento da procura. Em abril, a média de novos assinantes passou de 200 para 680 por mês. Atualmente são 7.200 clientes ativos e cerca de 55 mil cadastrados.

“Temos um lema de que é mais barato ter uma empregada dentro da lei do que fora”, defende o presidente da empresa, Mario Avelino. “A regularização é boa para todos”, acrescenta.

Doméstico pode bater ponto com smartphone

Empregadores e domésticos podem controlar as horas trabalhadas com um aplicativo para smartphones.

O Ponto Doméstica, desenvolvido pela B4H Serviços em Computação, possibilita que o trabalhador “bata o ponto” de entrada e saída do trabalho com um celular. Se o aparelho tiver a funcionalidade de localização, é possível identificar o endereço em que o ponto foi batido.

O serviço também permite que o doméstico informe entrada e saída de seu horário de almoço.

O aplicativo, que pode ser baixado no Android Market (Google Play), funciona em qualquer smartphone com o sistema Android (versão 2.1 ou superior) ou que tenha acesso à internet de rede móvel ou Wi-Fi.

Também é possível acessar o serviço em computadores com os navegadores Chrome, Firefox, Safari ou Internet Explorer (versão 8 ou superior).

Todos os serviços são gratuitos.

COMO FUNCIONA

O empregador precisa cadastrar seus funcionários no site do Ponto Doméstica (www.pontodomestica.com.br). Após o trabalhador “bater o ponto”, é possível verificar datas e horários em que o doméstico trabalhou com uma consulta ao site.

O aplicativo está disponível desde o último dia 3 e, até o momento, cerca de 200 empregadores e 100 funcionários utilizam o serviço, segundo o professor de computação móvel, Kiko Pereira, um dos desenvolvedores do aplicativo. “Em três meses, esperamos ter mais de 5.000 empregadas utilizando o aplicativo”, diz Pereira.

Fonte:FOLHA DE S. PAULO – MERCADO

0 respostas

Deixe uma resposta

Quer juntar-se a discussão?
Deixe seu comentário!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.