BC eleva projeção de inflação para acima de 5% em 2013 e 2014

Autoridade prevê que o IPCA vai estourar o teto da meta em junho; no 2º semestre, porém, índice deve recuar.

O governo Dilma Rousseff fechará todos os anos de seu mandato com inflação acima da marca de 5% e, portanto, além do centro da meta de 4,5%. Isso ocorrerá se as novas projeções para o IPCA, que o Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 28, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), forem confirmadas.

As projeções do BC para a inflação em 2013, tanto no cenário de referência como no de mercado, foram elevadas e estão próximas de 6%. Conforme o documento, a projeção para o IPCA de 2013 passou de 4,8% para 5,7% no cenário de referência. Para o próximo ano, a elevação foi de 4,9% para 5,3% e, para 2015, está em 5,4%.

O cenário de referência, de acordo com o BC, pressupõe manutenção da taxa de câmbio constante em R$ 1,95 e meta para a Selic estável em 7,25% ao ano. No documento anterior, a projeção para o câmbio estava mais alta, em US$ 2,05. Para fazer as projeções, o BC utilizou as informações até o dia 8 de março como data de corte. No cenário de mercado, o BC prevê 2013 que o IPCA fique em 5,8%, ante 4,9% da projeção anterior. Para o próximo ano, a projeção foi elevada de 4,8% para 5,1%. Neste grupo de projeções, a autoridade monetária incorpora dados da pesquisa realizada pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin).

Meta. As projeções do BC também mostram rompimento do teto da meta ao final do segundo trimestre de 2013. A partir do segundo semestre do ano corrente, no entanto, a autoridade monetária projeta recuo do índice de preços ao consumidor.

Tanto no cenário do mercado como de referência, o IPCA fecha o primeiro trimestre deste ano em 6,5% e sobe para 6,7% ao final do segundo trimestre. No terceiro trimestre, as duas projeções já mostram uma taxa de 6,0%, uma queda de 0,7 ponto porcentual em apenas três meses. Essa última estimativa está em linha com o discurso de que inflação irá recuar no segundo semestre de 2013.

De acordo com a instituição, a piora nas previsões nos dois cenários, tanto para 2013 como para 2014, reflete “taxas de inflação em meses recentes maiores do que as contempladas nas projeções constantes no último Relatório”, divulgado em dezembro. Desde o último documento, foram divulgados os dados do IPCA em dezembro de 2012 e janeiro e fevereiro de 2013.

As projeções, que vão até o primeiro trimestre de 2015, mostram que não há perspectiva de que a inflação fique abaixo de 5% nos próximos oito trimestres. No cenário de mercado, que contempla alta de juros em 2013, o IPCA ainda recua para algo próximo de 5% entre o fim de 2014 e início de 2015. Mas no cenário de referência, com a Selic estável em 7,25% ao ano, a inflação volta a se aproximar de 5,5% daqui dois anos.

Outro destaque nas projeções é o aumento na probabilidade de estouro do teto da meta, que subiu de 12% para 25% no cenário de referência e de 14% para 25% (mercado) em 2013. Para 2014, subiu de 19% para 24% (referência) e de 24% para 26% (mercado).

Em 2011, o IPCA fechou no teto da meta, em 6,50%, e, no ano passado, ficou em 5,84%. Este patamar para o indicador acima de 5% já era esperado pelo mercado para 2014 há aproximadamente um ano. As projeções dos analistas subiram para esse nível ao final de fevereiro do ano passado. No caso da inflação de 2013, as previsões já estão consolidadas na casa de 5% há mais tempo.

Ontem, falas da presidente na África do Sul causaram um rebuliço no mercado. Ao dizer que “não acredita em políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico”, Dilma sinalizou, na interpretação de profissionais do mercado, que a alta da Selic não está no horizonte.

Além disso, citou o Ministério da Fazenda – e não o Banco Central – no que diz respeito às “questões específicas de inflação”. Mais tarde, o presidente do BC, Alexandre Tombini, e a própria presidente da República voltaram a falar com a imprensa para tentar reverter os reflexos negativos que surgiram no mercado.

Fonte: Estadão – Economia & Negócios – 28 de março de 2013

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