Atletas vão pedir na Justiça alteração nos horários de jogos da Copa

A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) anunciou nesta sexta-feira que entrará no início da próxima semana com uma ação na Justiça do Trabalho de São Paulo pedindo alteração no horário dos jogos da Copa do Mundo que serão realizados nas cidades do Norte, Nordeste e do Centro-Oeste brasileiro em horários anteriores a 17 horas (de Brasília). A entidade realizou um estudo nessas regiões, coordenado pelo fisiologista Turíbio Leite, que comprova que a alta na temperatura corporal no cérebro pode provocar problemas de saúde nos jogadores. “Precisamos fazer isso para preservar a saúde dos atletas, não só nossos, mas também dos estrangeiros que estarão no Brasil. Isso pode abrir um precedente no futebol local. De repente, podem começar a marcar jogos para as 13 horas no futebol nacional, o que é altamente prejudicial”, disse Rinaldo Martorelli, presidente da entidade.

O principal alvo da ação são os jogos marcados para as 13h nas regiões mais quentes do país, como o entre México e Camarões, no dia 13 de junho, na Arena das Dunas, em Natal. O mesmo deve acontecer com partidas na Arena Pernambuco, na Arena Fonte Nova (Salvador), na Arena Castelão (Fortaleza), na Arena Amazônia (Manaus), na Arena Pantanal (Cuiabá) e no Estádio Mané Garrincha (Brasília), que, de acordo com o estudo, não devem ser realizados antes das 17h.

Martorelli afirmou ter alertado a Fifa sobre o problema ainda em 2012, mas não obteve retorno. “Os horários desses jogos me chamaram a atenção, porque não temos partidas assim no Brasil. Com o estudo em mãos, entreguei um documento completo pessoalmente ao Blatter (presidente da Fifa), alguns dias antes do sorteio dos grupos, no final de 2013, mas continuamos sem resposta.” Martorelli também admite negociar com a Fifa uma solução intermediária. “Não podemos desconsiderar pedidos alternativos. O primeiro ponto é a mudança de horário, que é o ideal. E como atenuante poderiam ser estabelecidas paradas técnicas obrigatórias.”

Para o advogado da federação, Eduardo Novaes, a Justiça brasileira pode alterar o horário dos jogos. “Existe a questão da proteção ao trabalhador na Constituição Federal, aplicável nas questões de saúde. A partir disso, há uma série de legislações que dão suporte a esse trabalho cientifico. As decisões ficam a cargo da Fifa desde que ela não se sobreponha à Constituição. Então, o juiz pode exigir paradas técnicas ou até adiamento dos jogos.”

Fonte: Agência Gazeta Press

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